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Revolucione
a Sala de Aula
Qual
a profissão mais importante para o futuro de uma nação? O
engenheiro, o advogado ou o administrador? Vou decepcionar,
infelizmente, os educadores, que seriam seguramente a profissão
mais votada pela maior parte dos leitores. Na minha opinião,
a profissão mais importante para definir uma nação é o arquiteto.
Mais especificamente o
arquiteto de salas de aula.
Na
minha vida de estudante freqüentei vários tipos de sala de
aula. A grande maioria seguia o padrão usual de um monte de
cadeiras voltadas para um quadro negro e uma mesa de professor
bem imponente, em cima de um tablado. As aulas eram centradas
no professor, o "lócus" arquitetônico da sala de aula, e nunca
no aluno. Raramente abrimos a boca para emitir nossa opinião,
e a maior parte dos alunos ouve o resumo de algum livro, sem
um décimo da emoção e dos argumentos do autor original, obviamente
com inúmeras honrosas exceções.
Nossos
alunos, na maioria, estão desmotivados, cheios das aulas.
É só lhes perguntar de vez em quando. Alguns professores adoram
ser o centro das atenções, mas muitos estão infelizes com
sua posição de ator obrigado a entreter por cinqüenta minutos
um bando de desatentos.
Não
é por coincidência que somos uma nação facilmente controlada
por políticos mentirosos e intelectuais espertos. Nossos arquitetos
valorizam a autoridade, não o indivíduo. Nossas salas de aula
geram alunos intelectualmente passivos, e não líderes; puxa
sacos, e não colaboradores. Elas incentivam a ouvir e obedecer,
a decorar, e jamais a ser criativos.
A
primeira vez que percebi isto foi quando estudei administração
de empresas no exterior. A sala de aula, para minha surpresa,
era construída como anfiteatro, onde os alunos ficavam num
plano acima do professor, não abaixo. Eram construídas em
forma de ferradura ou semicírculo, de tal sorte que cada aluno
conseguia olhar para os demais. O objetivo não era a transmissão
de conhecimento por parte do professor, esta é a função dos
livros, não das aulas.
As
aulas eram para exercitar nossa capacidade de raciocínio,
de convencer nossos colegas de forma clara e concisa, sem
"encher lingüiça", indo direto ao ponto. Aprendíamos a ser
objetivos, a mostrar liderança, a resolver conflitos de opinião,
a chegar a um comum acordo e obter ação construtiva. Tínhamos
de convencer os outros da viabilidade de nossas soluções para
os problemas administrativos apresentados no dia anterior.
No Brasil só se fica na teoria.
No
Brasil, nem sequer olhamos no rosto de nossos colegas, e quando
alguém vira o pescoço para o lado é chamado à atenção. O importante
no Brasil é anotar as pérolas de sabedoria.
Talvez
seja por isto que tão poucos brasileiros escrevem e expõem
as suas idéias. Todas as nossas reclamações são dirigidas
ao governo - leia-se professor - e nunca olhamos para o lado
para trocar idéias e, quem sabe, resolver os problemas sozinhos.
Se
você ainda é um aluno, faça uma pequena revolução na próxima
aula. Coloque as cadeiras em semicírculo. Identifique um problema
de sua comunidade, da favela ao lado, da própria faculdade
ou escola, e tente encontrar uma solução. Comece a treinar
sua habilidade de criar consenso e liderança. Se o professor
quiser colaborar, melhor ainda. Lembre-se de que na vida você
terá de ser aprovado pelos seus colegas e futuros companheiros
de trabalho, não pelos seus antigos professores.
Stephen Kanitz
é administrador (www.kanitz.com.br)
Publicado na Revista VEJA, Editora Abril, edição 1671, Ano 33, nº 42 de 18 de
outubro de 2000, página 23
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fonte www.kanitz.com.br |
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| Repercussões |
| Concordo
plenamente com o artigo "Revolucione a
sala de aula". É preciso que valorizemos
o ser humano, seja ele estudante, seja
professor. Acredito na importância de
aprender a respeitar nossos limites e
superá-los, quando possível, o que será
mais fácil se pudermos desenvolver a capacidade
de relacionamento em sala de aula. Como
arquiteta concordo com a postura de valorização
do indivíduo, em qualquer situação: se
procurarmos uma relação de respeito e
colaboração, seguramente estaremos criando
a base sólida de uma vida melhor.
Tania Bertoluci de Souza
- Porto Alegre, RS |
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e-mails: na
medida do possível, tentaremos responder a todos os
e-mails referentes aos artigos.
artigos@kanitz.com.br
Questões:
Como ser aprovado?
Como dividir a sala de aula?
Qual a melhor profissão?
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