"Vamos virar nossos mapas para cima, para o Cruzeiro do Sul. Vamos criar nossos referenciais para o nosso mapa, nosso jeito de ver o mundo. Essa é a única forma de criar uma nação".
Poderá parecer curioso o que vou escrever às vésperas dos 500 anos do Descobrimento: nós ainda não descobrimos o Brasil! Os portugueses talvez, mas nós ainda não. Sílvio Romero, já em 1880, identificava como o grande problema brasileiro a "imitação do estrangeiro na vida intelectual". Manoel Bomfim, anos depois, apontava nossa "falta de observação". Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala nos definia pela "aptidão para imitar". Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil sentenciava que somos "desterrados em nossa terra" por trazermos de outros países nossas formas de vida.
Copiamos coisas prontas, traduzimos tudo, preferimos citar a pensar, ridicularizamos inclusive os observadores genuinamente brasileiros.
Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
Publicado na Revista VEJA, Editora Abril, edição 1644, ano 33, nº 15 de 9 de abril de 2000, página 22
Excelente seu artigo "Ponto de Observação". Se o brasileiro fosse capaz de reconhecer seu valor, certamente seríamos um país com melhores condições de vida. É por causa de brasileiros como você que nosso país ainda pode ser considerado um país de futuro. Parabéns!
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Questões: Onde fica o Cruzeiro do Sul? Como eram os mapas de antigamente? Qual o padrão cartográfico europeu?