AS APARÊNCIAS ENGANAM
 

 

RESPOSTA ÀS CRÍTICAS DO ECONOMISTA DA ESCOLA NOMINALISTA NIVALDO CORDEIRO


Em 12/01/2004 no site www.nivaldocordeiro.org, o economista Nivaldo Cordeiro defende no seu artigo “As Aparências Enganam”, o nominalismo econômico implantado no Brasil de 1994 para cá.

Justamente este sistema que gera “ilusão monetária”, ou seja, onde “As Aparências Enganam”.

“Penso que do ponto de vista da economia como um todo, o conceito que vale é o nominal, até porque em tese, os níveis de inflação deveriam ser ou nulos ou em taxas desprezíveis”.

Lembra a piada do economista, perdido numa ilha com um engenheiro, que abre a única lata de sardinha disponível dizendo: “em tese, a lata está aberta”? Os níveis de inflação nunca foram nulos nem nunca serão, portanto esconder a realidade nua e crua não é suficiente.

“O que se chama de “real” é uma grande abstração, que procura expurgar do cálculo financeiro a variação monetária que, grosso modo, confunde-se com a taxa de inflação”.

Não é abstração como diz Nivaldo Cordeiro, pois no próprio artigo mencionei o TIPS americano, onde o aplicador pode finalmente comprar títulos do governo com juros reais pré-determinados, nada de ilusão monetária onde “as aparências enganam”.

“O que Kanitz procura fazer no artigo é demonstrar que o governo brasileiro paga muito menos em juros aos aplicadores de recursos em seus títulos do que aquilo que aparece consignado no orçamento como gasto nominal de juros. Nisso ele está certo”.

É justamente o contrário Srs. Economistas nominalistas. A saída de caixa de um juro nominal é muito maior do que num sistema realista de juros reais. O governo brasileiro paga no sistema nominalista 15%, 17%, 25% de juros nominais no final do ano, nunca terá superávit. No sistema realista, o governo paga 4%, 5%, 6% de juros reais no final do ano, o resto é um simples registro contábil que se acrescenta à dívida a ser paga no vencimento, seja em 5, 10 ou 20 anos. O BC não precisaria contrair mais dívidas para poder pagar os juros nominais, como hoje.

“A forma como Kanitz trata o assunto parece dar a impressão de que a inflação é uma coisa boa, pois desvaloriza a dívida pública. A certa altura, ele afirma: “a inflação embutida nos juros não é um custo, como afirmam, e sim uma receita! Todo mundo sabe que inflação beneficia o devedor”. Ora, faltou apenas Kanitz identificar de onde vem essa receita, que é a pior forma de tributação, a mais injusta e a mais pérfida, uma verdadeira traição dos governantes para com o povo pobre. Quem paga o imposto inflacionário são os possuidores de moeda nacional, o Real, e não têm meios para se proteger da corrosão inflacionária.”

O Nivaldo não percebe que a “receita” não vem dos pobres, e sim dos próprios capitalistas aplicadores de títulos do governo. Ganham 17% nos juros, perdem 10% do que aplicam. Não é o povo que perde os 10%. Mas economistas não conseguem entender a diferença entre regime de caixa e regime de competência. Pior, os nominalistas não percebem que pagar juros nominais embutindo ilusão monetária é inflacionário e leva alguns aplicadores a gastarem seu capital achando que é renda, o que é inflacionário.

O custo dos 10% de inflação embutida nos juros nominais deveria ser abatido dos 10% de receita de desvalorização da dívida, um compensando o outro. Uma receita anulando um custo, embora em períodos diferentes. Por isto, os nominalistas geram a inflação que querem combater, tornam os juros nominais elevados no início do empréstimo e aceitam receber uma dívida muito menor e desvalorizada cinco anos depois. Isto gera, desnecessariamente, inflação de custos. Pior, empresas não conseguem pagar os juros nominalistas que até Nivaldo confessa serem maiores do que realmente são, mas poderiam pagar facilmente a dívida desvalorizada se sobrevivessem até lá. O Brasil quebrou em 1981 por causa disto, e todos os países do terceiro mundo, graças ao nominalismo.

“Kanitz tenta ser didático fazendo raciocínio de contador para não contadores, esquecendo-se do mais fundamental, que é o efeito da inflação e do custo da dívida pública visto do ângulo da Economia Política”.

Eu estou tentando ensinar contabilidade para economistas, antes que eles destruam este país defendendo “ilusão monetária” e “as aparências enganam”. Para que não sejamos enganados e para os aplicadores não precisarem colocar ágios enormes de incerteza quanto aos juros reais, incerteza da taxação efetiva, incerteza das previsões de “inflation targeting” que nunca se realizam.
 
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