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  O verdadeiro
 
Mapa do Brasil

Poderá parecer curioso o que vou escrever:
nós ainda não descobrimos o Brasil!

Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil sentenciava que somos “desterrados em nossa terra” por trazermos de outros países nossas formas de vida.
Copiamos coisas prontas, traduzimos tudo, preferimos citar a pensar, ridicularizamos inclusive os observadores genuinamente brasileiros. Inteligentes no Brasil são os eruditos da cultura alheia.
Por exemplo, nenhum observador genuinamente brasileiro teria feito o mapa do Brasil como todo leitor está acostumado a ver. Todo mapa precisa de um ponto de referência, caso contrário não funciona, você não saberia em que direção se deslocar.
Os mapas de antigamente apontavam para o Oriente, onde nasce o Sol. As caravanas acordavam bem cedo, apontavam o mapa na direção do Sol, e traçava-se o caminho.
Quando os portugueses começaram a navegar de noite, perceberam que o Sol não servia mais como ponto de referência, e começaram a usar a estrela Polar do Norte como ponto focal do mapa. São estes os mapas que estão pendurados nas nossas escolas e repartições públicas. Este é o mapa que o leitor conhece praticamente de cor. O que a maioria dos brasileiros não sabe é que estes mapas são inúteis no Hemisfério Sul, pois não é possível localizar daqui a estrela Polar. Estes mapas ficam sem um ponto de referência.
Se quisermos fazer um mapa que funcione no Hemisfério Sul precisamos achar nosso ponto de referência, que provavelmente será o Cruzeiro do Sul, que aponta sempre para o Sul. Não é um mapa simplesmente diferente, é um mapa coerente com a realidade brasileira, um mapa que não funciona somente como peça de decoração. Parece estar de cabeça para baixo, mas na realidade são os mapas atuais que estão de ponta-cabeça.
No fundo, estamos usando padrões cartográficos europeus para enxergar o próprio país. O mesmo problema que dezenas de sociólogos já nos tinham dito dezenas de anos atrás. O que pode parecer um detalhe cartográfico é, na realidade, o começo do enorme erro destes 500 anos. Ainda não criamos nossos próprios pontos de referência, nossas balizas, nossos pontos de apoio. Por isso, não temos ainda o conceito de nação, de cidadania, justamente pelo fato de ainda não observarmos o Brasil com nossos próprios olhos.
O conhecimento humano nada mais é do que mapas simplificados que criamos para auxiliar nosso caminho. O sucesso na vida recai justamente naqueles que fazem os melhores mapas, sejam mapas éticos, morais, profissionais ou familiares.
Damos pouco valor aos pesquisadores brasileiros, temos frases do tipo “santo de casa não faz milagres”, “ninguém é profeta em sua terra”.
Vamos começar uma vida nova, de início virando esses nossos mapas para cima, para que tenham como ponto de referência o Cruzeiro do Sul, uma constelação que realmente dá para se ver no Hemisfério Sul.
Vamos criar nossos referenciais, nossos pontos de apoio, nossas formas de ver o mundo. Essa é a única forma de criar uma nação. Vamos finalmente começar a descobrir o Brasil, mas desta vez com nossos próprios olhos.

Stephen Kanitz
www.kanitz.com.br

 

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STEPHEN KANITZ, consultor de empresas e conferencista, vem realizando seminários em grandes empresas no últimos 10 anos, já

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  Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Criador de “Melhores e Maiores” - revista Exame, avaliou até 1995 as 500 maiores empresas do país. Criador e organizador do Prêmio Bem Eficiente para entidades sem fins lucrativos.

Sua experiência como consultor lhe rendeu o Prêmio ABAMEC Analista Financeiro do Ano e o Prêmio JABUTI 1995 - Câmara Brasileira do Livro.

É árbitro da BOVESPA na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.