No
meu artigo "Perdoem o meu Desabafo", publicado na Revista
Veja de 14 de janeiro de 2004, eu questionava mais uma vez,
a informação amplamente divulgada por economistas nominalistas,
jornalistas econômicos, pelo próprio Presidente do Banco Central
e pelo Vice-Presidente da República, que o governo brasileiro
pagou de juros em 2003, nada menos do que 9% do PIB, ou 1/3
do orçamento público.
Todos citam a
cifra monstruosa de R$ 150 bilhões de juros que alegam terem
sido pagos pelo governo, o que obviamente inviabiliza o crescimento
econômico, os gastos públicos no social, sugere que a dívida
interna é insustentável, e impede a redução da taxa de juros.
Resumindo minha
argumentação para quem não leu o artigo, R$ 30 bilhões destes
juros sequer são pagos pelo governo, pois R$ 30 bilhões são
automaticamente retidos como Imposto de Renda na fonte. O
desembolso para o governo é de R$ 120 bilhões, e não R$ 150
bilhões como publicado, isto não dá para contestar.
Alguns leitores
alertaram, que embora eu estivesse certo, por razões legais,
este imposto retido vira receitas do governo, e os outros
ministros pressionam para gastar esta receita. Obviamente,
se o governo for tolo o suficiente para gastar a receita gerada
pelos seus próprios juros, a situação econômica se complica.
Por isto Palocci,
corretamente, não permite este gasto, que vira este tão criticado
superávit fiscal. Que na realidade não é superávit coisa alguma.
Palocci recebe enorme pressão política de ser carrasco e anti-social
à toa, mas ele simplesmente está deduzindo o imposto arrecadado
dos juros nominais pagos, reduzindo assim os juros em vez
de aumentar as receitas.
Vou fazer uma
analogia. Seu dinheiro não dá para comprar um carro, até o
dia em que a sua esposa é contratada por uma concessionária
com direito a uma comissão de 20%. O carro agora vai ser seu.
Aí sua esposa, como os Ministros de Lula, lhe informa que
ela pretende gastar os 20% da comissão em roupas, e você fica
sem carro e ela sem a comissão. Nós ficamos sem juros baixos
e os ministros sem crescimento. Temos um governo unido ou
somos um grupo de ministros defendendo seus próprios interesses?
Minha solução,
que já escrevi na Veja por umas quatro vezes, tal meu desespero
com a ignorância contábil dos nossos intelectuais, seria criar
o equivalente aos bônus municipais americanos, títulos das
prefeituras que pagam 30% a menos de juros por serem isentos
de imposto de renda.
Isto reduziria
os juros para níveis mais tranqüilos, reduziria as greves
e pressões para gastar este superávit que no fundo não existe.
O segundo ponto
do artigo era que dos R$ 120 bilhões de juros nominais líquidos,
só R$ 40 bilhões são juros reais, algo que todo administrador
e contador sabe, mas nossos economistas nominalistas insistem
em ignorar. O governo teve no ano passado um ganho de capital
de R$ 80 bilhões de reais, devido à inflação, que o governo
simplesmente não contabiliza.
Portanto, quando
o Banco Central abaixa os juros em 0,25% e nada acontece,
é porque na realidade eles só abaixaram 0,09% do juro real.
Simples!
Tem mais. Outro
leitor me informou que o Banco Central apresentou um lucro
em 2003 de R$ 32 bilhões, vendendo futuro de câmbio a R$ 3,60
e recomprando um ano depois a R$ 2,89. Os idiotas dos especuladores
que apostaram contra o governo Lula tiveram um tremendo prejuízo,
e quem lucrou foi o governo. Ou seja, dos R$ 40 bilhões de
juros reais que os bancos e especuladores receberam do governo,
R$ 32 bilhões voltaram para o Banco Central.
O total de juros
que o governo pagou para o setor financeiro como um todo não
foi de R$ 150 bilhões, mas somente de 8 bilhões, uma tremenda
diferença. Como é possível a todos os jornalistas e economistas
ignorarem esta notícia?
Em fevereiro,
março e abril de 2004, com o repique da inflação, o fenômeno
se repete. O governo pagou quase nada de juro real descontado
o imposto de renda e a inflação, e nenhum economista e jornalista
comentam? Novamente a tal cegueira causada pelo nominalismo
econômico.
Não é à toa que
está começando a haver uma saída de capital do Brasil, ninguém
quer receber zero ou quase zero de juros reais.
Em vez de 9%
do PIB, como afirmaram Meirelles, Alencar, Sayad, Ivoncy Iochpe,
Gilberto Dupas e Celso Ming, e outros nominalistas, para citar
artigos publicados nestes últimos meses, pagamos em 2003 somente
0,5% do PIB, uma ninharia. Em vez de 16,5% ao ano, o juro
real pago em 2003 cai para 0,5% ao ano, melhor investir nos
Estados Unidos.
Em suma, a origem
da estagnação é esta. Ninguém sabe qual vai ser o juro real
antes de comprar um título do governo. Por isto eu nunca compro,
não sou um especulador, isto deixo para os economistas.
Abra o caderno
de Economia de qualquer jornal brasileiro e procure qual é
a taxa real oferecida pelo governo para os próximos 6 a 12
meses. VOCÊ NÃO ENCONTRARÁ ESTE VALOR. Ninguém sabe, por isto
nem aplica em títulos, só especula.
O governo brasileiro
paga quatro riscos à toa:
1. O risco de
não saber o juro real antes da aplicação, o que aumenta os
juros em 2 a 3 pontos percentuais.
2. O risco de
não saber a efetiva taxação, que é calculada sobre o valor
nominal e não sobre o juro real, mais 1% de risco.
3. O risco dos
índices de inflação serem manipulados, porque no Brasil eles
não são auditados por auditores independentes, e aí o investidor
coloca mais 1% para se garantir.
4. O risco do
índice IGP-M não espelhar a inflação do investidor, e aí o
investidor coloca 1% extra só para se garantir, agravado pelo
amadorismo das ponderações do IGP e IGP-M.
Bastaria lançar
um título com juros reais fixos, taxar somente o juro real,
auditar os índices de inflação para não serem manipulados
como no passado e criar índices de inflação confiáveis, que
reduziríamos em 4 a 5 pontos percentuais os juros deste país.
Um outro leitor
me sugeriu que toda esta desinformação econômica é deliberada,
faz parte de uma conspiração nominalista. A maioria dos economistas
brasileiros é ou quer trabalhar num banco, e adora especular
com as incertezas geradas pelo nominalismo.
Se for assim,
então não me resta nada além de aderir. Portanto, esqueçam
tudo que eu escrevi acima.
O GOVERNO NÃO
ARRECADA IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS JUROS QUE PAGA, NEM A DÍVIDA
INTERNA É CORROÍDA PELA INFLAÇÃO.
REPITO, NÃO EXISTE
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NESTE PAÍS, NEM INFLAÇÃO. O BANCO
CENTRAL SEMPRE PERDE DOS ESPECULADORES NUNCA GANHA.REPITO,
NUNCA GANHA.
E OS INVESTIDORES
CONHECEM O JURO REAL QUE RECEBERÃO E FAZEM AS DECISÕES MONETÁRIAS
CORRETAS ENTRE POUPAR OU CONSUMIR, COMO REZA A CARTILHA DO
MONETARISMO ECONÔMICO.
O que ainda não
entendo, e me pergunto: o que os nominalistas pretendem com
toda esta desinformação?